22 de fevereiro de 2010

Cabezas-de-cera

Última noite do Rec-Beat em SP fecha com ska pernambucano e rock experimental do México

FLÁVIO SEIXLACK
da Redação

Com a mesma pontualidade dos demais dias do evento, a terceira e última noite do Pompéia.Beat teve seu início às 21 horas deste sábado (20) na Choperia do Sesc Pompéia, com bom volume de público.

A primeira banda a se apresentar foi a pernambucana Ska Maria Pastora. Apesar de trazer o gênero no nome, o noneto com membros de Recife e Olinda adiciona a seu som outros estilos além do ska, como o reggae e o frevo.

Na maioria das canções, a melodia principal vem no naipe de metais – não por acaso, Deco Trombone (trombone), Edson Faro (sax) e Augusto (trompete) ocupam o centro do palco. Mas vale citar que o restante do grupo – que ainda conta com um percussionista (Léo Oroska), dois guitarristas (Jayme Monteiro e Vítor Magall), um tecladista (Leo Vinesof), um baterista (Sanzyo Rafael) e um baixista (Valdir Pereira) – também é formado por excelentes músicos.

Em 45 minutos de união entre Jamaica e Recife, a banda fez um dos shows mais redondos e agradáveis do festival, mostrando ser uma verdadeira banda de baile – sem qualquer sentido pejorativo- e colocando boa parte dos presentes para dançar.

Se a apresentação mais dançante de todo o Pompéia.Beat foi a do grupo Ska Maria Pastora, os mexicanos do Cabezas de Cera, por outro lado, fizeram o show mais desafiador do evento.

O som experimental e vanguardista do trio composto por Ramsés Luna (sopros), Paco Sotelo (percussões) e Mauricio Sotelo (cordas) se baseia em instrumentos únicos criados pelo baterista (charrofono, jarana prisma, tambor kitai e tricordio), além de harpas de 10 e 12 cordas, saxofones, flauta transversal, clarinetes com efeitos e muitos outros.

O resultado é hipnótico, algo entre o rock progressivo e a música típica de países da Ásia Central. No palco, toda a competência do trio recebe a ajuda do engenheiro de som Edgar Arrellín, comandando o áudio e os efeitos sonoros e tornando o espetáculo ainda mais interessante.

Em pouco mais de uma hora, o Cabezas de Cera fez uma apresentação memorável, recompensante principalmente para os que prestaram atenção na riqueza sonora do trio. Foi o melhor show do festival, e encerrou a terceira e última noite do ótimo Pompéia.Beat, versão paulistana do Rec-Beat, com chave de ouro.

Nenhum Comentário: deixe o seu!
20 de fevereiro de 2010

Madensuyu

Segunda noite do Rec-Beat em SP traz eletrônico instrumental de Recife e duo rock da Bélgica

Flávio Seixlack
Da Redação

A segunda noite do Pompéia.Beat, braço paulistano do festival Rec-Beat, começou nesta sexta (19) com público bem mais reduzido do que no primeiro dia do evento, quando se apresentaram os recifenses d’A Banda de Joseph Tourton e o argentino Kevin Johanson com o grupo The Nada.

O show do Diversitronica começou pouco depois das 21 horas. O sexteto de Recife fez uma apresentação inteligente e, deixando de lado o fato de que a casa estava relativamente vazia, tocou com ânimo e dedicação.

Diferentemente d’A Banda de Joseph Tourton, o instrumental do Diversitronica vai por caminhos mais próximos da música eletrônica, com um som denso, ainda que muitas vezes dançante, que carrega traços de trilha sonora para videogame. A mistura de batidas eletrônicas com duas baterias acústicas é um dos charmes do show, que também vale a pena pelo bom uso dos sintetizadores e pelas elaboradas linhas de baixo.

No telão, o trabalho da VJ Izabella ilustrou bem a apresentação, com imagens abstratas e coloridas que casam de forma natural com o som da banda. O Diversitronica encerrou o show com a excelente “Última Fase” e viu o espaço para o público virar uma verdadeira pista de dança.

Pontualmente as 22 horas, o duo belga Madensuyu iniciou sua curta porém vigorosa apresentação. A dupla, cujo som lembra Velvet Underground, explora bem as limitações do formato guitarra-voz-bateria, com o uso de distorções na guitarra e reverbs para a voz, além de baterias explosivas e baixos pré-gravados.

No show, o guitarrista Stijn Ylode De Gezelle e o baterista PJ Vervondel se alternam nos vocais e, sem nunca deixar a o nível de empolgação diminuir, carregam a apresentação com grande competência. A simplicidade de tudo beira o punk, mas o esforço do baterista em arriscar diversas frases em português e a visível satisfação do duo em tocar no Brasil conquistaram o público.

A terceira e última noite do Pompéia.Beat acontece no Sesc Pompéia na noite deste sábado (20) a partir das 21 horas, com shows dos grupos Ska Maria Pastora (Recife) e Cabezas de Cera (México).

Nenhum Comentário: deixe o seu!
19 de fevereiro de 2010

Kevin-Johansen

Rock instrumental de Recife e pop argentino abrem primeira noite do Rec-Beat em SP

FLAVIO SEIXLACK
Da Redação

O festival pernambucano Rec-Beat –que acontece anualmente durante o Carvanal em Recife e completa dez anos em 2010– chega a sua segunda edição na cidade de São Paulo, no Sesc Pompéia, onde recebe o nome de Pompéia.Beat.

O evento, que veio em versão mais enxuta para a capital paulista e acontece em três noites, começou nesta quinta-feira (18) com a apresentação de um grupo que, embora ainda não seja conhecido do grande público, é um dos nomes da nova safra de bandas independentes vindas de Recife a se prestar atenção.

O quarteto A Banda de Joseph Tourton subiu ao palco por volta das 21h e, por pouco mais de 40 minutos, fez um show preciso e muito bem executado, bastante aplaudido pelo público presente no Sesc Pompéia. Em sua apresentação, o grupo mostrou poucas (embora longas) canções, que alternaram momentos dançantes e barulhentos com andamentos suaves e tranquilos.

Instrumental, o som da banda bebe da fonte de grupos do pós-rock, como Explosions in the Sky e Tortoise, embora passeie também por ritmos tipicamente brasileiros, como o samba e a bossa nova –o que, na maioria das vezes, funciona bem. Além de baixo, guitarra e bateria, o grupo também utiliza instrumentos como flauta transversal, teclado e escaleta. O show desta quinta mostrou que A Banda de Joseph Tourton ainda precisa acertar alguns ponteiros para deixar seu som mais redondo. O que, se depender da habilidade musical do quarteto, não deve demorar muito.

Na sequência, a atração argentina Kevin Johansen e a banda The Nada conseguiu reunir um público ainda maior na frente do palco, onde fez um show animado e rico em detalhes. Simpático e brincalhão, o filho de pai norte-americano com mãe argentina apresentou, em quase 2 horas, músicas de diversas fases de sua carreira.

Kevin conversou com a plateia em portunhol, contou histórias, ironizou a imprensa, cantou músicas infantis, dedicou canções a James Brown (“Chill Out James”) e Barry White e ainda fez versões para “Take On Me”, do A-ha, e “Hotel California”, do Eagles. A sonoridade do grupo de Buenos Aires mescla ritmos latinos com música pop, resultando quase sempre em uma sonoridade agradável e convidativa para os que gostam de se arriscar na dança.

Um dos destaques da apresentação foi “No Voy A Ser Yo”, canção de Kevin com letra do uruguaio Jorge Drexler que ficou famosa no Brasil por conta da versão de Luiza Possi, conhecida como “Eu, Não”.

O Pompéia.Beat continua nesta sexta-feira (19) com shows de Madensuyu (Bélgica) e Diversitronica (Recife), e termina no sábado (20) com a apresentação dos pernambucanos do Ska Maria Pastora e dos mexicanos do Cabezas de Cera.

Nenhum Comentário: deixe o seu!
18 de fevereiro de 2010

Céu - Foto: Caroline Bittencourt

Rec-Beat se reinventa

Ao completar 15 anos, o Rec-Beat utiliza estratégias para não repetir o modelo que criou; neste ano as performances femininas ganharam maior destaque na programação

Maria Helena Monteiro

Um ano de consolidação das divas. E por divas entenda-se cantoras, mulheres que sabem bem como segurar um palco e mantêm o público em suas mãos. Assim podemos definir a 15ª edição do Rec-Beat. E tal qual boas debutantes, as mulheres Céu e Gabi Amarantos fizeram do palco ao lado do Rio Capibaribe o seu próprio baile, onde cantam e encantam seus pares e são o centro das atenções. Gabi, no domingo, enfrentou problemas com sua aparelhagem de som e soube contornar o imprevisto com tanta maestria que o defeito nem chegou a ser percebido pela plateia. E Céu fez um dos shows mais lindos, vagarosos e potentes que já foram vistos nesses 15 anos de festival.

Mas também não se pode ignorar a força e o alcance que o pop pernambucano mostrou nos quatro dias de festival. Volver, A Banda de Joseph Tourton (apesar de ainda precisar de muita estrada pela frente) e a veterana e incansável – e por vezes repetitiva – Original Olinda Style provaram que o espaço que ocupam é de gente grande, comparável ao dado às atrações do Marco Zero, palco principal da folia recifense. Quer prova maior que a transformação do Cais da Alfândega em uma grande ladeira de Olinda na noite de terça? Ou um coro de adolescentes histéricos cantando todas as canções de uma banda que acaba de alçar seu maior voo, a saída dos limites estaduais?

Se o público foi gentil e acalentou as meninas de fora e os meninos do Recife, o mesmo não se pode dizer dos nossos hermanos latinos e hispânicos que quase passaram despercebidos pelo grande público. Não que tenham feito apresentações ruins ou o som que fazem não seja digno de nota. Apenas foram mais um, no meio de tantos. Se não estivessem lá, não faria diferença na vida de ninguém.

Melhor recebido foi o Cidadão Instigado, que provou estar em um momento inspirado da carreira. Os rapazes de Fortaleza se apresentaram para um dos maiores públicos do festival, tocaram em uma só tirada um repertório 90% formado de canções de seu último álbum U-huuu.. Todas elas foram acompanhadas por um coro uníssono e braços para cima até o final de seu curto tempo de palco. Magic Slim, no domingo, e Lucas Santtana e Renegado, no sábado, também proporcionaram bons momentos, cada um ao seu estilo.

Apesar de bastante criticado à época da apresentação da programação, o produtor Gutie provou que teve mais acertos que erros, mais uma vez, na escalação do time que comanda a sua festa. O Rec-Beat 2010 foi um belíssimo baile de aniversário. E que venham outros tantos anos de vida.

Olinda Style elegeu repertório carnavalesco

A apoteose do carnaval foi no palco do Marco Zero ou no Cais da Alfândega? Quem visse o imenso e elétrico público da última noite do Rec-Beat possivelmente não poderia dar uma resposta sem titubear. No palco, quase duas dezenas de músicos fantasiados tocavam samba, frevo, música de baile. Era o Original Olinda Style, projeto que conta com integrantes das bandas Eddie e Orquestra Contemporânea de Olinda, Erasto Vasconcelos, Maciel Salú e outros. É música de carnaval das ladeiras de Olinda, para dançar e pular. A folia era grande também nos bastidores. Artista que não estava no palco, estava dançando: Karina Buhr, Junio Barreto, Marcelo Campelo (Mombojó), Gomão (Vamoz). Músicos e público na mesma sintonia de aproveitar o carnaval até o último minuto. E quando o show de duas horas chegou ao fim, quase todo mundo ainda queria mais.

Se o Original Olinda Style foi sem dúvida o show mais carnavalesco, o Cidadão Instigado é forte candidato a melhor show do festival. A mistura de MPB setentista, quase brega, com rockpoderoso, quase progressivo, funciona muito melhor ao vivo do que em disco – e olhe que o Uhuu! foi um dos álbuns mais elogiados do ano passado. ” Já me falaram que isso não é música para se tocar em carnaval, mas estar aqui tocando rock’n'roll para a massa é muito bom”, comentou o guitarrista Fernando Catatau, o idealizador da banda. Aos coerentes gritinhos de “uhuu!” o público se empolgou com canções como O pobre dos dentes de ouro e O cabeção. “E viva todos os hippies do Brasil!”, viboru Catatau.

A banda mais deslocada da noite certamente foi a mexicana Cabezas de Cera, que faz uma bonita mistura da música tradicional daquele país com suaves elementos eletrônicos, um som meio viajado, meito etéreo, mas que às vezes surge num rompante forte, bruto. No começo, parecia que o trio ia repetir o que aconteceu com a dupla argentina King Cayo & Los Yegros e ver sua música se perder no mar de gente do imenso Rec-Beat. Não chegou a tanto, mas ficou óbvio que o tipo de música dos mexicanos não funciona tão bem num palco daquele tamanho. (Carolina Santos)

1 Comentário: deixe o seu!
18 de fevereiro de 2010

Diversitronica - Foto Caroline Bittencourt

Rec-Beat traz novos horizontes musicais

Fernanda Mena
Enviada Especial ao Recife

Após quatro dias de Carnaval, o Rec-Beat chega hoje a São Paulo para abrandar a overdose de samba e axé com novos horizontes musicais.
Uma das melhores atrações do festival no Recife, A Banda de Joseph Tourton reúne um quinteto tão jovem que ganhou o apelido de “baby jazz” e abre a noite de hoje, no Sesc Pompeia, com uma combinação afinada de samba e música experimental. Depois deles, é a vez do cantor Kevin Johansen, que não tocou na versão pernambucana do evento.
Na sexta-feira, os recifenses do Diversitronica mostram seu som eletrônico dançante com linhas de baixo que lembram New Order. Na sequência, o duo Mandensuyu apresenta um noise que flerta com Sonic Youth, feito com bateria, guitarra e gritos. No sábado tocam Ska Maria Pastore (PE) e o trio de jazz mexicano Cabezas de Cera. O grupo resgata levadas folclóricas mexicanas por meio de um som experimental hipnotizante.

Latino-americanos
Em suas investigações sonoras, o Rec-Beat 2010 apontou a música instrumental e a incorporação de ritmos latino-americanos como tendências. Juntaram essas duas diretrizes o Cabeças de Cera e a banda colombiana Puerto Candelária, que faz uma mistura da música típica do país com punk e ska.
Entre os artistas nacionais, a cantora Céu e a banda cearense Cidadão Instigado foram as atrações que reuniram maior público.
Dentro da tônica de revelar novas sonoridades, o Rec-Beat trouxe os acrianos do Caldo de Piaba, com seu rock-guitarrada-caribenho-instrumental, a paraense Gabi Amarantos, mistura de Beyoncé com Tati Quebra-Barraco do tecnobrega, e a surf music pernambucana do Radistae, que deve voltar ao Rec-Beat em 2011, após os problemas técnicos que interromperam seu show na edição deste ano.

Festival mudou o Carnaval recifense

Há dez anos, quando se mudou de Olinda para a rua da Moeda, o festival Rec-Beat tinha ares de utopia: apresentar novas sonoridades num pedaço da cidade tido como morto. “Quem ia aos shows não tinha nem onde comprar cerveja”, lembra Antonio Gutierrez, criador e produtor do Rec-Beat.
Criado há 15 anos, o festival queria incorporar à folia pernambucana uma música que ainda não fazia parte da festa: o mangue beat. Hoje os festejos oficiais da cidade foram ampliados por 16 polos de música, oito no centro e oito nas periferias, com shows que vão de Nação Zumbi a N XZero.
Em 2009, o Rec-Beat ganhou uma versão paulistana, mas quer parar por aí. “Já recebi convites para fazer em outras cidades, mas não quero criar um fast-food.”

A jornalista FERNANDA MENA viajou a convite da Prefeitura do Recife

Nenhum Comentário: deixe o seu!
18 de fevereiro de 2010

Original Olinda Style

Ritmos regionais fazem coração bater mais forte

Original Olinda Style fechou em grande estilo folia no Cais da Alfândega. Noite de despedida começou com uma roda de coco comandada por Adiel Luna, Camará e Galo Preto

Eugênia Bezerra

Uma roda de coco no festival RecBeat é formada por borboletas de peruca, um caboclo de lança, homens usando wayfarer (óculos) coloridos e mulheres com saia rodada e flor no cabelo. A cena foi vista durante os shows de Adiel Luna e Coco Camará e do Mestre Galo Preto, que foram as primeiras atrações na quarta-feira passada, última noite do evento. O encerramento mesmo foi após a meia-noite, ao som da Original Olinda Style, que encontrou uma plateia animadíssima – nem parecia que a festa estava oficialmente acabando. Além deles, também se apresentaram Caldo de Piaba (Acre), Cidadão Instigado (Ceará) e Cabezas de Cera (México). Público numeroso, pontualidade e rapidez na troca de palco foram marcas do evento.

Uma plateia considerável já se formava quando Adiel Luna e Coco Camará começaram a tocar, por volta das 19h. Vencedor da seletiva do Pré-AMP, o grupo fez as pessoas dançarem no ritmo marcado do coco. Eles receberam o Mestre Galo Preto como convidado especial e, terminado o tempo do show, foram tocar no meio do povo aproveitando o intervalo. A plateia adorou.

Pouco depois, elegante em seu terno branco e chapéu, o Mestre Galo Preto reapareceu para se apresentar com os próprios músicos. Fez coco de embolada, sertanejo, de praia e de umbigada, explicando as diferenças entre os estilos. O mestre, que já tocou com artistas como Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, convidou o rapper Zé Brown para cantar com ele no RecBeat (os dois estão desenvolvendo parcerias musicais). Galo Preto ainda dançou e conquistou a plateia com seu bom-humor.

Depois dele, a outra atração pernambucana era a Original Olinda Style. A rua estava lotada quando a apresentação deles começou e permaneceu assim até o final. Fantasiados, os músicos corresponderam às expectativas da plateia com sucessos da Eddie e Orquestra Contemporânea de Olinda (as duas bandas que dão origem ao projeto). O público ainda dançou e cantou com Ciranda de maluco (Otto), Carimbó ladrão (Bonsucesso Samba Clube), Energia (Lula Queiroga) e O Baile de Betinha (com participação de Erasto Vasconcelos). A chuva, que ameaçava cair desde cedo, veio leve e não atrapalhou. O final do repertório não poderia ser mais propício para os fãs: Vida boa, É de fazer chorar e Não vou embora. A Original Olinda Style saiu do palco ao som dos pedidos de bis.


Cidadão Instigado manda bem o recado

Outra banda que reuniu muitos fãs na noite de encerramento do RecBeat foi os cearenses da Cidadão Instigado. Após algumas apresentações no Estado, a mais recente delas durante a Feira Música Brasil, em dezembro, eles voltaram para tocar pela primeira vez durante o Carnaval (além do RecBeat, eles fizeram um show em Olinda, no Polo Fortim). “Já me falaram que isso não é música para se tocar em Carnaval. Mas é muito bom isso, muito bom tocar rock para esta multidão”, comemorou o vocalista da banda, Fernando Catatau, antes de tocar a música O pobre dos dentes de ouro, uma das mais pedidas por quem estava perto do palco.

Os fãs também cantaram os versos de músicas como O nada e Escolher pra quê?. Ao final, o público pediu bis e teve gente vaiando porque o desejo não foi atendido.

Antes deles, o trio Caldo do Piaba (Acre) apresentou uma dançante mistura de ritmos da região Norte do país com ritmos como rock, ska, samba rock, dub. Simpáticos, eles fizeram um show animado que misturava composições próprias e sucessos da região como Lambada complicada (de Aldo Sena). Três músicas foram transmitidas ao vivo para o Acre pelo Lumo Coletivo, que integra o Circuito Fora do Eixo (rede de trabalho formada por produtores e bandas, que apoia a primeira turnê da banda pelo Nordeste). Não demorou para os casais se formarem para dançar.

Outra atração que misturou ritmos característicos da sua região com outras influências foi a mexicana Cabezas de Cera. O trio apresentou um som experimental, demonstrando habilidade ao violão, bateria e a guitarra acústica Aphex. Entre a plateia, enquanto alguns dançavam, um homem mais empolgado gritava “Cabezas de Cera, p*! É isso aí, c*!”.

Os mexicanos são uma das atrações da “versão paulistana” do RecBeat, que começa hoje no Sesc Pompeia. Até sábado, também se apresentam as pernambucanas Ska Maria Pastora, A Banda de Joseph Tourton e Diversitronica, além do cantor Kevin Johansen (que não tocou no Recife)e o duo Mandensuyu, Ska Maria Pastora.

Nenhum Comentário: deixe o seu!
17 de fevereiro de 2010

Gabi_Amarantos_(foto_Caroline_Bittencourt)

Musa gay do Pará brilha no Rec-Beat

A divertida Gabi Amarantos foi um dos destaques das duas ótimas primeiras noites do evento dentro do carnaval do Recife

Lauro Lisboa Garcia

Tecno-brega do Pará, rock instrumental do Recife, pop-samba-dub da ponte Bahia-Rio, cumbia underground da Colômbia, hip-hop de Minas Gerais, blues do Mississippi. O democrático leque sonoro da 15ª edição do festival Rec-Beat trouxe bons ares novidadeiros à programação do Carnaval Multicultural do Recife. O público recebeu as atrações com interesse e entusiasmo crescente, principalmente na noite de anteontem.

Definida por alguém nos bastidores como um “misto de Tina Turner com Tati Quebra-Barraco”, a paraense Gabi Amarantos ganhou a galera com seu tecno-brega (“ou tecno-melody, podem chamar como quiserem”), encerrando a programação da segunda noite, já na madrugada de ontem. Carismática, esperta, agitada, provocativa, divertida, dona de um vozeirão tipo Alcione, Gabi ficou tão empolgada com o público que quase desceu no meio dele. Encerrou o show repetindo o início, o que contribuiu para fixar músicas como Beba Doida, Tô Solteira e outras com direito a trejeitos de Beyoncé.

Numa de suas várias falas, no auge da empolgação, fez questão de afirmar o orgulho por sua origem (“Posso ter saído da floresta, mas a floresta nunca saiu de mim”), a gratidão pelo público gay (“Eles me elegeram a rainha GLS de Belém”) e se atribuiu o crédito de pioneira por mesclar carimbó com tecno-brega. Claro que ninguém parou de dançar e sorrir para ela o tempo todo. “Sabia que Recife ia ter um papel decisivo na minha vida e isso está começando hoje. E vocês estão fazendo essa história comigo”, disse, para arrebatamento geral do público que lotou o Cais da Alfândega.

Em sistema sonoro semelhante, misturando programações de DJ com vocal e instrumentos convencionais, mas sem empolgar tanto, antes dela se apresentou o projeto eletrônico argentino King Coya + La Yegros. Até que eles têm um pé no tecno-brega, só que com acento mais latino/caribenho.

Nada mais contrastante com o blues tradicional do Mississippi de Magic Slim, que os antecedeu. Anunciado como “uma das últimas lendas vivas do blues”, o guitarrista provocou reação calorosa da plateia no primeiro toque da palheta. Acompanhado de um trio de baixo, guitarra e bateria – banda formada por dois argentinos e um brasileiro para a turnê sul-americana do músico – e andando com certa dificuldade, o veterano blues man tocou sentado. Fez um show curto e preciso, soltando o vozeirão potente, tocando clássicos como Mustang Sally e Before You Accuse Me. No dia 26 eles tocam no Sesc Vila Mariana.

Das duas atrações pernambucanas do domingão, a mais popular é a Volver, que faz rock com um pé no brega, com letras de amor e algo de Los Hermanos. Bacana, mas surpreendente mesmo foi A Banda de Joseph Tourton, de rock instrumental digno da bem-vinda onda que cresce no Brasil. O mais “velho” integrante tem 20 anos, mas o quinteto já faz um som bem desenvolvido, combinando hard-rock com elementos de ska, samba e toques experimentais. Depois de amanhã eles tocam no Sesc Pompeia, abrindo a primeira noite da versão paulistana do Rec-Beat, que terá também o argentino Kevin Johansen.

Na noite de sábado, abriu o festival outra banda instrumental do Recife igualmente promissora, o trio Radistae, que tem influências da surf music. Por problemas técnicos, o show da banda teve de acabar antes do previsto, mas o produtor Antonio Gutierrez, o Gutie, prometeu convidá-los de novo para a próxima edição, para compensar a perda. Os ótimos vídeos da VJ Milena Sá, que fizeram toda a diferença nos shows de domingo, também não puderam ser projetados no sábado, por problemas burocráticos alheios a ela e à produção do festival.

Os vídeos fizeram falta principalmente no ótimo show de Lucas Santtana, que teve de mudar todo projeto de luz por conta desse problema. Tanto Lucas como o rapper mineiro Renegado foram conquistando o público gradativamente e certamente saíram daqui com um número maior de fãs. Com seu mix de dub, samba, rock e outras soluções retumbantes e inteligentes, Lucas pegou mais pesado do que no show de dezembro na Feira Música Brasil.

Renegado surgiu revigorado com uma banda nova (este foi o segundo show com essa formação) e também veio com uma pegada mais pulsante, liquidificando seu rap melodioso com cores de rock, samba e soul. Aliados a essa potência, seu carisma e sua sinceridade contribuíram para ter o público nas mãos.

Outra jovem atração pernambucana, Zé Manoel, de Petrolina, ainda não tem um projeto sonoro definido, revelando influências de Chico Buarque e Clube da Esquina, entre outros, mas o compositor e pianista também conquistou pela sinceridade e pela simpatia. E foi corajoso ao tocar uma valsa em pleno carnaval, em momento solo, dispensando a banda.

Encerrando a noite de sábado, os colombianos do Puerto Candelária também tiveram seu momento de glória, fazendo com muito humor o que eles chamam de “cumbia underground”, com elementos de ska e punk. Antes, a banda era mais jazzística, agora, como disse o produtor nos bastidores, está mais pop, virou “mais espetáculo”. Foi bem divertido.

Nesse quesito, porém, imbatível é o bloco Quanta Ladeira, que fez sua “bagunça entre amigos” – com Lula Queiroga, China, Silvério Pessoa, Júnio Barreto, Luciano Queiroga -, recebendo Thalma de Freitas e Fernanda Takai, na tarde do domingo. Em suas impagáveis paródias, os principais alvos foram os políticos como José Serra, Dilma Rousseff, José Roberto Arruda e o prefeito do Recife, João da Costa.

Nenhum Comentário: deixe o seu!
17 de fevereiro de 2010

Diversitronica_(foto_Marina_Sobral)

Pelo segundo ano consecutivo, o festival Rec-Beat chega a São Paulo para uma edição especial com três noites de shows no SESC Pompeia. O festival na capital paulista ganha o nome de Pompeia.Beat e acontece entre os dias 18 e 20 de fevereiro, logo após o término do carnaval recifense, com a participação de grupos pernambucanos e internacionais.

Entre as atrações internacionais estão o cantor argentino Kevin Johansen, o duo belga Madensuyu e os mexicanos Cabezas de Cera. De Pernambuco, participam algumas das revelações da nova cena recifense que fazem música instrumental a sua própria maneira: Diversitronica, A Banda de Joseph Tourton e Ska Maria Pastora. Os shows acontecem na Choperia do SESC Pompéia, a partir das 21h, e os ingressos para cada noite custam R$ 24 (inteira), R$ 12 (meia-entrada) e R$ 6 (trabalhadores associados do SESC e dependentes).

REC-BEAT @ SÃO PAULO
POMPEIA.BEAT

QUINTA – 18/02 – 21h
Kevin Johansen (Arg) e A Banda de Joseph Tourton (PE)

SEXTA – 19/02 – 21h
Madensuyu (Bel) e Diversitronica (PE)

SÁBADO – 20/02 – 21h
Cabezas de Cera (Mex) e Ska Maria Pastora (PE)

Local: SESC Pompeia – Choperia (Rua Clélia, 93 – Pompéia – São Paulo/SP)
Ingressos: R$ 24 (inteira), R$ 12 (meia) e R$ 6 (trabalhadores associados do SESC e dependentes)
Classificação indicativa: Maiores de 18 anos
Mais informações: www.recbeat.com | www.sescsp.org.br

Nenhum Comentário: deixe o seu!
16 de fevereiro de 2010

Numa maratona de quatro noites em pleno Carnaval, o Rec-Beat 2007 se despede nesta terça-feira (20/02) com uma boa celebração a cultura pernambucana. Ao completar 15 anos, nesta edição de 2010, já com uma posição consolidada entre os maiores festivais do país, o festival transita entre a tradição e novas tendências, incluindo em sua programação o novo, o irreverente e o inusitado. A última noite de shows tem início com a apresentação de Adiel Luna e Coco Camará, às 19h. Vencedor da seletiva do Pré-AMP, Adiel Luna e Coco Camará possuem uma batida marcante, letras de fácil memorização e inúmeros improvisos.

Logo em seguida, sobe ao palco um dos mestres do coco pernambucano: o Mestre Galo Preto. Dono de uma história ímpar e de uma carreira nacional consolidada, Mestre Galo Preto foi parceiro de grandes nomes da musica brasileira como Jackson do Pandeiro, Cauby Peixoto, Arlindo dos Oito Baixos, Luiz Gonzaga e Jacinto Silva, entre outros. Hoje, aos 75 anos, retoma seu lugar no espaço contemporâneo da musica e cultura popular brasileira, protagonizando o filme do diretor Wilson Freire chamado “Mestre Galo Preto, O Menestrel do Coco”.

Diretamente do Acre, a Caldo de Piaba, que sobe ao palco às 21h, faz uma música instrumental que passeia por Carimbó, Ska, Samba rock e Iê Iê Iê. As releituras são uma parte importante do trabalho do Caldo que, na medida em que começa a aparecer na programação de festivais, também leva a composição tradicional do Acre para novo público. São uma daquelas bandas que, quando você vê ao vivo, precisa de uns três ou quatro minutos para se recompor.

Uma das atrações mais aguardadas da última noite do Rec-Beat é o cearense Cidadão Instigado. Fernando Catatau, guitarrista e líder da banda Cidadão Instigado, é um dos mais importantes artistas da primeira década deste século na música brasileira. Dois de seus discos encabeçam as listas de melhores lançamentos da última década. Seu mais recente disco “Uhuuu!” foi um dos vencedores do Prêmio Pixinguinha e traz um som orgânico e mais parecido com o tocado nos seus shows com uma energia alegre e canções mais ensolaradas.

Logo em seguida, o Rec-Beat recebe representantes do México no palco do Cais da Alfândega. A banda instrumental Cabezas de Cera traz consigo um som próprio ao misturar um pouco do folclore mexicano com a experimentação do rock e tantos outros ritmos que já fazem parte da cultura internacional. O trio se utiliza de instrumentos diversos como guitarra de 12 cordas, violão, tricórdio, sax, flauta, controlador midi e percussões eletrônicas e acústicas. A cada mudança de música ao vivo, um novo instrumento musical vai sendo incorporado para compor a trama e, assim, a banda vai demonstrando suas influências musicais.

Encerrando a 15ª edição do Rec-Beat, o festival recebe uma grande celebração pernambucana. A reunião da Eddie com a Orquestra Contemporanea de Olinda resultou no projeto Original Olinda Style, onde as duas consagradas bandas olindenses compartilham o gosto pela mistura do pop internacional e os ritmos locais. No palco, os 15 músicos dividem repertório e incorporam novas composições e releituras carnavalescas.

REC-BEAT 2010
TERÇA – 16/02
19h00 Adiel Luna e Coco Camará (PE)
20h00 Mestre Galo Preto (PE)
21h00 Caldo de Piaba (AC)
22h00 Cidadão Instigado (CE)
23h10 Cabezas de Cera (México)
00h30 Original Olinda Style (PE)
Local: Cais da Alfândega – Recife Antigo (Capacidade para 30 mil pessoas)
Aberto ao público

Nenhum Comentário: deixe o seu!
15 de fevereiro de 2010

Ceu
Além das opções de diversão noturna com shows para jovens e adultos, o Festival Rec-Beat conta na tarde da segunda-feira (19/02), com uma edição vespertina voltada para crianças. A versão mirim do festival, o RecBitinho traz a companhia teatral Circo In Bottiglia para apresentar o espetáculo “Il Trasporto Umano”. O espetáculo também possui música ao vivo, com intervenções dos personagens na história, clowns e mágicos, encantando os espectadores em uma mistura de referências de circo, teatro e musicais.

Pela noite, o público no Cais da Alfândega, volta a presenciar ótimos shows com bandas novas e revelações do cenário local e nacional. A banda pernambucana Diversitronica abre a programação de shows mostrando sua música eletro-eletrônica executada por três dos melhores produtores musicais do Recife. O Diversitronica ao vivo é empolgante, revitalizador de energias e, claro, dançante, com a ajuda de powerbooks, teclados, VJ e duas baterias.

Na sequencia, é a vez da cantora Stela Campos, radicada há diversos anos em São Paulo, e que foi uma testemunha viva da efervescente cena manguebeat no Recife. Já tendo sido chamada de “Billie Holiday de garagem” por Chico Science, Stela Campos é dona de uma voz inconfundível, equilibrando senso vanguardista com um apurado talento para compor melodias cativantes. No Rec-Beat, ela apresenta seu mais novo e elogiado disco “Mustang Bar”, descrito pela própria como “french rock robótico sessentista”.

A terceira atração da noite vem da Bélgica e faz um som estranho, mas hipnotizante. Madensuyu, formado pela dupla Stjin e Vervondel, existe desde 2004 e tem realizado shows empolgantes pela Europa. Gritos, riffs estranhos, batidas aceleradas e muitos efeitos fazem parte do som deste grupo que toca tanto ao lado de grupos de som industrial quanto eletrônico.

Às 23h, sobe ao palco do Rec-Beat o grupo Ojos de Brujo, formado em Barcelona há 14 anos e que é uma das mais bandas importantes da Espanha atualmente. Seus discos são sempre bem recebidos e são presença constante em festivais pela Europa mostrando sua fusão de estilos como reggae, hip hop, rock e eletrônica, tendo por base a cultura flamenca com uma grande presença de palco.

A noite da segunda-feira de carnaval no Rec-Beat termina com mais uma diva no palco, a cantora Céu. Com o repertório do disco “Vagarosa”, aclamado pelos críticos da Rolling Stone como o melhor lançamento do ano passado, Maria do Céu Whitaker Poças mergulha fundo em climas e conexões musicais brasileiras, jamaicanas e universais. A admiração pelo seu trabalho só tem aumentado desde seu disco de estreia “CéU”. Neste ano de 2010, Céu se prepara para viajar aos EUA em abril, quando se apresenta no festival Coachella.

REC-BEAT 2010
SEGUNDA – 15/02

17h00 RECBITINHO CIRCO IN BOTTIGLIA : Il Transporto Umano
20h00 Diversitrônica (PE)
21h00 Stela Campos (SP)
22h00 Madensuyu (Bélgica)
23h10 Ojos de Brujo (Espanha)
00h30 Céu (SP)
Local: Cais da Alfândega – Recife Antigo (Capacidade para 30 mil pessoas)
Aberto ao público

2 Comentários: deixe o seu!